quinta-feira, 29 de abril de 2010

Hiato

Como vocês devem ter notado, faz tempos que não atualizo meu blog, o que tem ocorrido com maior frequência. Isso se deve a muitos fatos, sendo que, dessa vez, o tempo não é um deles. Tenho tido tempo de atualizar, mas a verdade é que não o tenho feito pelo fato do blog não me parecer mais tão atrante como outrora fora. O meu propósito, no início, era um. O de criar uma rotina de escrita, criar comprometimento comigo mesmo e com possíveis leitores de forma a exercer a literatura, por assim dizer. Contudo, de uns tempos para cá, esse propósito me tem sido cada vez mais distante, e os novos rumos que ele tem tomado (de ser quase um blog de variedades) não tem me agradado. Então, após um longo debate interno, decidi colocar meu blog em hiato por tempo indeterminado.
Então, ao invés de toda semana ficar quebrando a cabeça para saber o que escrever ou inventar algo para ocupar espaço aqui, resolvi que seria melhor 'dar um tempo' em tudo isso para me reciclar e voltar, mais tarde, às funções blogueiras a que me propus antes que esse espaço - antes tão importante para mim - perdesse qualquer atrativo e eu me sentisse tentado a terminá-lo. Ao invés disso, deixo esse espaço como está com a mensagem de que pretendo retornar, mas com outra proposta que seja a mim - e aos leitores, espero - mais atraente do que a atual.
Obrigado a todos os que passaram aqui. E até breve!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Scarborough Fair

Essa semana, após certo tempo de contemplação, enfim resolvi escrever sobre a música do título (Scarborough Fair). Digo isso por já estar com essa idéia na cabeça há algum tempo, e por achar a história dessa canção muitíssimo interessante e diferente. Ao menos, daquilo que estamos acostumados.
Primeiramente, para deixar bem claro, essa canção não é muito conhecida do público brasileiro, mas é tradicional da Inglaterra e razoavelmente conhecida em países de língua inglesa. Sua origem é desconhecida, mas remonta de alguns séculos, tendo tomado forma mais recentemente, em torno de 1800, contando uma história de amor (?) sobre um homem e uma mulher. Antes de partir para o conteúdo, no entanto, acho interessante falar um pouco sobre sua história.
Como dito antes, sua origem não é muito clara, mas há teorias que remontam para a balada “The Elvish Knight”, que fala de um cavaleiro elfo maligno que tenta seqüestrar uma donzela, Isabel. O nome dela, na verdade, costuma variar m diferentes versões, mas esse é o mais conhecido. Alguns leitores mais antigos desse blog já devem ter reconhecido essa balada do conto que escrevi há algum tempo chamado “Faerie ou Isabela e o Cavaleiro Elfo”. Escrevi-o em duas partes (para quem quiser ler: parte 1 aqui http://visoesnaareia.blogspot.com/2009/04/faerie-parte-1-de-3.html; parte 2 aqui http://visoesnaareia.blogspot.com/2009/05/faerie-parte-2-de-2.html. Recomendo a leitura. Gostei muito de escrever, e acho que gostariam de ler também), tentando dar um contexto à balada e uma motivação para sua criação.
Na realidade, a minha tradução se baseia em versões mais modernas da balada, visto que as mais antigas cantavam de um elfo que dava tarefas impossíveis para uma donzela realizar, levando-a consigo caso ela falhasse. E é nessa versão que se baseia a música.
Prosseguindo com a questão histórica, Scarborough é uma cidade na Inglaterra onde havia esta Scarborough Fair, a Feira de Scarborough. Uma cidade mercante que havia recebido aval do rei, diminuindo-lhe impostos sobre mercadores. Daí ficou instituída essa Feira, da qual diversos comerciantes de distintas e variadas regiões participavam. Hoje ela já não existe mais por ser inviável, mas foi por séculos um dos grandes atrativos da região.
Se pensado no contexto da balada, esse é um fato até passageiro e um tanto irrelevante, visto que a história da canção poderia se dar em qualquer local. Mas como a música se chama Scarborough Fair, e o primeiro verso é: ‘Are you going to Scarborough Fair’ (‘Você está indo para a Feira de Scarborough?’), achei que seria interessante explicar sua origem.
O que me chamou atenção na música, na verdade, além de ser uma balada muito bonita, é a história por trás, que trata sobre o tema do amor, mas sob outro prisma. Todos nós conhecemos histórias de um casal apaixonado que tem de passar por incríveis e dramáticas desventuras para ficarem juntos (sendo Romeu e Julieta provavelmente o exemplo mais famoso desse tipo de história). Na canção, porém, o que ocorre é o contrário. Quem canta a música (originalmente um homem, mas pode ser adaptada facilmente a ambos os sexos) já teve um amor, que está em Scarborough. Isso é dito nos versos 3 e 4 (‘Remember me to one who lives there; she once was a true love of mine’ – algo como ‘Mande lembranças minhas àquela que lá vive; ela fora, outrora, meu verdadeiro amor’). Porém, como já ficou explícito, é um amor que se foi. O que se torna claro, no entanto, é a intenção de um voltar e, do outro, não. Por isso, nas estrofes seguintes, aquele que canta a balada dá ao seu “ex-amor” tarefas impossíveis a serem realizadas. Se ela assim as fizer, poderão se amar novamente. Do contrário, permanecerão separados.
São tarefas que devem ser falhadas, e creio ser este o ponto mais interessante da canção, que desfaz o mito do amor verdadeiro, transformando-o em uma espécie de grave rancor de origem desconhecida. Talvez seja essa a grande questão: por que ele exige essas tarefas impossíveis para não mais ficar com ela? Por que não há mais o amor, e sim o desdém, da parte dele?
Além destas questões de conteúdo, há outros assuntos formais da balada. Por exemplo, o segundo verso de todas as estrofes é uma enumeração de ervas (‘Parsley, sage, rosemary and thyme’ – ‘salsinha, salva, alecrim e timo’), o que, por mais estranho que seja, não é incomum em línguas nórdicas, como Sueco e Finlandês, e até mesmo o Alemão. Como há pouco que remonte à verdadeira origem da balada, sugere-se que seja uma rima alternativa ao refrão original. Ou, conforme me confidenciou a wikipedia, pode ter a ver com a crença pagã de que estes quatro temperos, quando misturados, servem como um feitiço de amor.
De qualquer modo, há ainda outras versões para este verso, como ‘Sober and grave grows merry in time’ (‘Sério e grave se alegram com o tempo’), ‘Every rose grows merry with time’ (‘Cada rosa se alegra com o tempo’), e ‘There's never a rose grows fairer with time’ (‘Não há rosa que se alegre tanto com o tempo’).
Todos esses versos só me fazem pensar que há algo mais por trás de tanto desdém, como algum amor velado ou alguma espécie de sentimento querido, mesmo que ressentido, pela mulher (não) amada. Coloquei abaixo a letra com uma tradução livre (e de minha autoria) ao lado. E, ainda, duas versões da música. A primeira interpretada por Hayley Westenra, do espetáculo Celtic Woman (‘Mulher Celta’), que contém uma estrofe a menos, e a que mais gosto, de Simon e Garfunkel. A versão deles também contém alguns versos contra a Guerra Fria, mas decidi não falar disso aqui para não fugir ao propósito, que é falar da origem dessa canção.
Portanto, ei-la:

Are you going to Scarborough Fair? (Você está indo para Scarborough Fair?)
Parsley, sage, rosemary, and thyme. (Salsinha, salva, alecrim e timo.)
Remember me to one who lives there, (Mande lembranças minhas àquela que lá vive,)
she once was a true love of mine. (ela fora, outrora, meu verdadeiro amor.)

Tell her to make me a cambric shirt. (Diga-lhe para me fazer uma camisa de cambraia)
Parsley, sage, rosemary, and thyme. (Salsinha, salva, alecrim e timo.)
Without no seams nor needlework, (Sem linha nem bordados)
Then she'll be a true love of mine. (E ela será meu verdadeiro amor)

Tell her to find me an acre of land. (Diga-lhe para me encontrar m acre de terra)
Parsley, sage, rosemary, and thyme. (Salsinha, salva, alecrim e timo.)
Between salt water and the sea strands, (Entre água salgada e faixas de mar)
Then she'll be a true love of mine. (E ela será meu verdadeiro amor)

Tell her to reap it in a sickle of leather. (Diga-lhe para colhê-los com uma ceifa de couro)
Parsley, sage, rosemary, and thyme. (Salsinha, salva, alecrim e timo.)
And gather it all in a bunch of heather, (E juntar tudo em um monte de urzes).
Then she'll be a true love of mine. (E ela será meu verdadeiro amor)

Are you goin' to Scarborough Fair? (Você está indo para Scarborough Fair?)
Parsley, sage, rosemary, and thyme. (Salsinha, salva, alecrim e timo.)
Remember me to one who lives there, (Mande lembranças minhas àquela que lá vive,)
She once was a true love of mine. (ela fora, outrora, meu verdadeiro amor.)



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quinta-feira, 4 de março de 2010

Pra não dizer que nçao falei de flores...

Prosseguindo com as escassas atualizações do blog, ainda não tenho nenhum novo conteúdo (seja literário, conceitual etc) para postar, mas me vejo no dever de ao menos explicar minha ausência (que agora está sendo, mesmo que de leve, suprida) nos blogs alheios.
Pois bem, fiz a prova, mas não deu. Não passei, apesar do estudo e do sacrifício. Mas para ser bem sincero, eu achei mesmo que não seria esse ano. Que bom que ano que vem tem mais, então. Posso fazer a prova de novo, me preparar melhor, e entreter o consul devidamente (sequer me chamaram pra essa parte; nem pude demonstrar meus dotes, por assim dizer...). Mas sem brincadeiras, fiquei um pouco chateado (saí pra afogar as mágoas com amigos), mas não era algo inesperado. Acho que isso ensina duas coisas (ou mais, dependendo de quem interpretar e de que forma): a primeira é que todos vamos falhar eventualmente, ou ver nossos planos darem errado. A segunda é que, nem por isso, precisamos de desistir dos nossos sonhos. Perdão pelo conteúdo meio melodramático, não costumo ser assim, mas acho que temos que pensar positivo. Algo meio Poliana (polianóide, como diria uma amiga minha). De resto, volta às aulas semana que vem, e volta aos escritos também. E aos comentários, claro. Enquanto isso, fiquem com o meu amigo Tom Sawyer:



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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dômo Arigatô, Mr. Robottô

Gostari de agradecer, e muito, a todos que passaram aqui nos últimos dias e que comentaram o meu blog, mesmo sem terem tido retorno de minha parte. Muito obrigado mesmo. Mas como eu havia falado, estou com uma procissão de eventos, todos ocorrendo ao mesmo tempo, na minha vida, e está cada vez mais difícil de me comunicar. Na minha casa quase já nem tem tomada. Nem cadeira. Estou praticamente de pé escrevendo isso. Para quem não lembra, estou em processo de mudança, que começou, de fato, hoje. E minha casa (apartamento, na verdade) está intransitável. Mas amanhã vem o pessoal levar tudo pro apartamento novo, e acho que acabarei passando o carnaval na função (tem alguém em Porto Alegre que qeueira fazer festa com um moreno de 1,80m? Não? hehehe). Mas bom, piadinhas infames a aparte, uma vez mais obrigado, e juro que assim que possível (creio que já no meio da semana que vem) me inteiro de tudo que ocorre em blogs alheios, e volto a me involver. Porque ser parte passiva não tem metade da graça de ser um mebro ativo dos blogs de quinta, e vocês sabem disso. Um abraço a todos, e té mais ;-)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Desculpas... de novo

Pois é, está virando rotina, mas aqui esotu eu de novo, em meu enésimo post, pedindo desculpas pela falta de updates e pelo meu recente relapso nos blogs alheios. Mas, se servir de consolo, nem no meu eu tenho vindo. E isso se deve a alguns motivos, que pretendo enumerar de forma breve e sucinta.
Estou de férias, mas nem por isso tenho tido tempo livre. Como já comentei algumas vezes, farei uma prova no consulado japonês para concorrer a uma bolsa de um ano de estudos no Japão. Essa prova se dará dia 22 de fevereiro, o que significa que a data está próxima e o tempo está passando. Além de estudar, tenho que preencher os formulários, conseguir minha documentação e treinar minha conversação, visto que teremos de entreter o consul, em japonês, por algo em torno de 15 a 20 minutos. Haja japonês para encher todo esse tempo. Além disso, estou me mudando. O que significa desmontar a casa, separar o lixo, juntar minhas coisas e depois botar tudo no lugar, só que no apartamento novo. Além do mais, parece que meu bom nome de tradutor se espalhou (ao menos, eu gosto de pensar que tenho um bom nome), e cada vez mais gente tem me mandado trabalho. O que significa menos tempo para as miscelâneas, blog incluso. Isso sem falar que meu pc me odeia. Mas eu já disse isso.
Então me perdoem, mas, como já disse meu amigo Pernalonga, "Por hoje é só, pessoal".

domingo, 10 de janeiro de 2010

Feliz ano novo (um tanto atrasado)

Bom, eu sei que não tenho postado aqui nem com a confluência necessária de um blog semanal nem com a precisão necessária para um blog considerado de quinta(-feira). E eu achava inclusive que ficaria mais uma semana sem postar por alguns motivos: um deles a falta de criatividade para o momento, outro a vontade de descansar e de não fazer nada nesse momento (o que, para o bem ou para o mal, não poderá ser feito; muito estudo e esforço pela frente). Contudo, apesar disso, enquanto viajava na internet, de repente me deparei com o blog de um dos meus autores favoritos, o britânico Neil Gaiman. Para quem não conhece, é um romancista que iniciou sua carreira em histórias em quadrinhos e que, mais tarde, migrou para uma arte com mais palavras e menos desenhos. Mas isso não vem ao caso. Quem quiser saber mais sobre ele pode procurar pelo google ou por nossa sempre fiel wikipedia. E acreditem, vale a pena.
O que me chamou a atenção foi a mensagem de ano novo que ele postou em seu blog e que depois leu (para uma multidão) quando Londres adentrou o ano de 2010. Achei uma mensagem muito bonita e intrigante, e não tive como evitar o desejo de tê-la também aqui em meu blog. O ano novo já passou, mais de semana, mas creio que nem isso torne a mensagem menos válida. Eis, portanto, a tradução:

"Que seu próximo ano seja cheio de magia, sonhos e saudáveis loucuras. Espero que leia bons livros, e que beije alguém que o ache maravilhoso. E não esqueça de fazer arte - escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva como apenas você pode. Que seu próximo ano seja maravilhoso, em que você sonhe tão perigosa quanto corajosamente. Espero que você crie algo que não existia antes que você o criasse, e que você seja amado e apreciado, e que tenha pessoas que possa amar e apreciar em troca. E ainda mais importante (porque eu acho que deveria haver mais bondade e sabedoria no mundo hoje) que você seja quando necessário for, sábio, e sempre bondoso.
E eu espero que, em algum momento do próximo ano, você se surpreenda."

Eis aí a minha (?) mensagem de ano novo. Sequer é minha, de fato, e está atrasada, mas como eu mesmo havia escrito, não creio que isso tire a verdade, a beleza e a sinceridade destas palavras.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Canção de um marinheiro

Faz tempo, mas só agora eu percebi que, apesar de prometer, eu não falei sobre minha prova de japonês, o Nouryoku shiken. Como eu já disse em outras oportunidades, é a prova de proficiência feita pela Japan Foundation (a Fundação Japão; e sim, esse é o nome deles mesmo, em inglês. Como é um órgão internacional, decidiram usar o nome em inglês, e não em japonês). Se deu domingo dia 06 de Dezembro. Pois bem, a prova se divide em em três. A primeira prova é de kanjis e vocabulário. A segunda é a prova de audição (o famoso listening :P), e por último, gramática. Pois bem, posso garantir que fui bem na primeira e na terceira. O que me tira o sono, atualmente, foi meu desempenho no teste de audição. Não tenho certeza se fui tão bem assim. Acho que fui mais ou menos. Contudo, para passar no teste, é necessário acertar 60% em cada um das provas separadamente. Se meu mais ou menos foi mais de 60%, passei. Se foi menos, fica para o ano que vem... Saberei disso em Março, apenas. O motivo? Simples, os japoneses querem corrigir a prova (de múltipla escolha, com folha óptica igual a vestibular) em solo japonês. Não bastasse isso, a prova tem de ir, pasmem, de navio! Vai entender...

Bom, mudando de assunto. Para aqueles que leram o meu texto "Luz de velas", deve ter percebido a influência que sofri do poema "Ismália", de Alphonsus Guimarães. É um dos meus poemas favoritos (brasileiro ou estrangeiro). Um dos mais bonitos que conheço. Recomendo a todos que leiam. Minha colega blogueira Gi postou o poema em seu blog (link: http://profetadopassado.blogspot.com/2009/12/ismalia.html). Leiam que vale. Contudo, ainda há mais uma influência que, como se diz, passou batido. Também não os culpo. É uma música e uma banda não muito conhecida do grande público. A música se chama "A Sailorman's Hymn", da banda Kamelot, e conta (ou canta?) a história de uma jovem que acende uma vela à noite para guiar seu marido que está no mar. Para aqueles que têm curiosidade, vale a pena conferir (por favor, tenham curiosidade. Gosto muito desta música (e de outras da banda) e gostaria de compartilhar com vocês). Portanto, aí vai o vídeo. Aproveitem!



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