quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Na chuva

Bom, semana passada eu fiquei doente e me sentindo mal, o que me levou a postergar a atualização do meu blog em um dia. Por isso, agora que fui ao médico, fiz exames e estou tomando remédio, creio eu que nada seria mais justo do que atualizar um dia antes, também, e manter uma média legal.
Para início de conversa, resolvi dar uma pequena pausa na conversa japonesa, não só devido ao tamanho dos posts, como também pela complexidade do tema e do "saco" de quem acompanha. Hoje o conteúdo é mais leve (ou não... vocês vao entender). Contudo, antes de prosseguir, preciso tomar conta de algumas pendências da última sexta-feira. O nome dos programas que eu uso, que prometi postar, acabaram faltando. Então ficou para o começo deste post aqui.
O programa que eu uso para escrever no computador é o JWPce. É muito útil para quem quer aprender kanjis. Você escreve a palavra e, se quiser, pode pedir para o programa mostrar os kanjis relacionados a ela, ainda com dicionário interno, para saber seus possíveis significados. O inverso também se aplica. Tem um texto em kanji? Ele pode transformar em hiragana e usar o dicionário para esclarecer os significados.
Pode ser encontrado aqui:
http://www.physics.ucla.edu/~grosenth/jwpce.html

Basta clicar em download e ele vem com tudo pronto. Muito fácil de instalar, inclusive.

Outro programa que eu uso é o rikaichan. Neste caso, é bom para internet. Você pode entrar em várias páginas em japonês, e ele tem um dicionário interno (que deve ser baixado com o programa) que funciona assim que se marca uma palavra. Aí ele vai dando possíveis significados e tipos de leitura.
Pode ser encontrado aqui:
http://www.polarcloud.com/rikaichan/

Notem, também, que português não é uma língua contemplada dentre as opções. Infelizmente, não há uma base de estudos muito forte no Brasil (ou em Portugal) sobre a língua, o que é uma pena.

Ok, agora que já escrevi muito mais do que deveria, aqui vem um conto novo, que escrevi no final de semana, revisei rapidamente, e aqui vos trago.
Boa leitura ;-)

Na chuva

O rapaz abriu a porta de casa apressadamente para fugir da chuva que rugia sobre ele. Brigando com as chaves, ele deu uma volta na fechadura e conseguiu arredar a entrada de seu ferrolho e criar espaço para sua passagem. Assim que entrou, pareceu-lhe que a chuva, magicamente – como muito acontece, conforme Murphy nos admoesta – cessou, e o céu abriu e estrelas surgiram.
Praguejando contra a sorte com todo o tipo de impropérios que lhe vinham à mente, ele fechou a porta e adentrou a sala, vendo seu irmão mais novo – um adolescente na típica idade estudantil – deitado no sofá, enrolado numa coberta xadrez, onde um azul claro e um amarelo suave se revezavam ininterruptamente. Ao lado, no chão, seu cachorro se divertia com um osso e os restos do tênis de alguém – que ele devia ter apanhado durante o sono de seu dono. O animal sempre ficava agitado quando não saía para passear.
Praguejando ainda mais contra o cachorro do que praguejara contra a chuva, ele fez menção de acordar seu irmão para fazê-lo ir dar uma volta com seu bicho de estimação. Contudo, vendo-o dormir tão serenamente, decidiu que sairia ele mesmo.
Pegou, então, a guia e colocou-a no cachorro. Antes de sair, ainda deu uma última olhada em seu irmão e notou como ele estava crescido. ‘Já está quase do meu tamanho’, pensou.
Puxou o cão e foram ambos juntos dar uma volta. Na saída de sua casa, ele voltou a sentir algumas gotas escorrendo das poucas nuvens que se amontoavam atabalhoadamente no céu. Ele suspirou, quase sem acreditar em sua (pouca) sorte, mas decidiu que daria uma volta mesmo assim.
Caminharam alguns metros e viram, dobrando a esquina em sua direção, um rapaz encapuzado para quem seu cachorro latia animadamente, balançando o rabo de um lado para o outro. Quando se aproximaram, o rapaz viu que quem vinha era ninguém menos que seu irmão mais novo.
- Mas – disse ele – eu pensei que você estivesse em casa, dormindo.
Seu irmão apenas sorriu, e disse:
- Eu estou.
E nunca mais voltaram a se encontrar.

13 comentários:

Paulo Henrique Passos disse...

Cara, foi mal mesmo por não ter passado aqui antes!

Mas desatrasando um pouco, li o texto sobre os kanji, o 1º. muito interessante. A questão da diferença entre os ideogramas chineses e japoneses, queria saber mesmo. A propósito, você sabe dizer qual a diferença do coreano também?

Até o final de semana ponho as leituras aqui em dia.

Abraço!

Marina disse...

Oi, Marcelo!

Gostei muito da narrativa. Está muito bem escrita, mais do que o normal. Só achei o final meio abrupto, em comparação com o início do texto, como se você tivesse tido uma súbita pressa em terminar.

Espero que você esteja melhor e apareça mais. Beijos!

adri disse...

Adorei. Acho que um dos melhores que já li.

E gostei do final. Assim curtinho ficou mais impactante, eu acho.

Acho bom mesmo se preocupares com "a média" do dia em que escreves aqui.... Ficar doente não é desculpa =P huahuahuaa. Estás melhor agora, guri? Faça o favor de se cuidar, neh?

bjs!

diego disse...

legal teus contos,o final do conto da chuva é bem interessante,ehehe

abraço

Gi disse...

naaooooo.. :(

triste demais...
eu fico muito sentimental com esses contos tristes de morte...

não gostei... :(
aliás, gostei pq se sua intenção era chocar e emocionar, parabéns...
mas irmãos não podem morrer assim... :(

pode ser ridículo e vc não acreditar, mas chorei... :(

Anônimo disse...

Fala meu,
Não foi no último jogo?

Tão bem legais os contos, apesar d'eu nunca entender o final. To bricando, abraço e vai estudar.

Thiago César disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago César disse...

rapaz, eu tinha acabdo de comentar q nao tinha entendido porra nenhuma do final...
mas ae tava lendo os comentarios da negada aki e li o da gi, ae me tokei do q significava... hehe!
muito criativo, pelo q eu li dos teus contos os finais sao sempre surpreendentes, parabéns!

CA Ribeiro Neto disse...

Marcelão, sinceramente, não gostei muito do conto não.

Achei um vocabulário carregado desnecessariamente. Mas veja bem, o problema não é o vocabulário rebuscado e sim como ele se encontra no texto.

E também achei o final abrupto demais, mesmo entendendo a morte que a Gi falou.

Quanto a manutenção da média, não entendi, visto que no post passado está registrado como na quinta também! hehehe

Abraço

A moça da flor disse...

putz!! muito bom!
cê tem a veia pra contos mesmo, ein?
Adoro seus finais surpreendentes!
Tem uma palavrinha ou outra rebuscada mas não vejo isso como defeito não. Pelo contrário dá uma charmezinho ao texto!

Sim voltei finalmente. :p
Fico feliz pelo apreço!


A propósito...
sobre seus posts anteriores. Ainda não tive tempo de lê-los todo. Mas sou extremamente interessada pela cultura japonesa! Fiquei muito feliz quando vi do que os posts se tratavam. Há tempos que quero aprender a língua e a escrita, mas ando sem tempo. Até comecei a ler algumas coisas um tempo... mas parei. Deu até ânimo pra retomar os estudos!

Beijos!
e melhoras!!

Hermes disse...

Rapaz, achei o começo do conto e o meio bem lento. As descrições eram bonitas, e tava bem legal de imaginar. Mas do nada tu matou o irmão do cara, pow! huhdusadhhas. Toma um azulzim pra deixar esse bicho de pé e deixar o texto maior, pareceu uma rapidinha. xDDD hduashduahdas.

Um poeta cronista cantador de contos disse...

Vou mandar a real!











Tu arrepiou parcero!

Não achei o vocabulário carregado demais, não! só a gente que não usa muito esse estilo. Mas gostei mesmo assim! tipo:

"Praguejando contra a sorte com todo o tipo de impropérios"

adorei essa!

E adoro finais chocantes, principalmente com a doçura que a carregou até o final! Porque, tipo, a mensagem em si, é chocante (o cara morreu!) mas fluência do texto é leve. Pelo menos eu senti leveza no texto inteiro...


E, só se quiser saber, na minha opinião, deixa o japonês um pouco de lado (embora eu goste muito!) e segura os contos!

aquele abraço!

CA Ribeiro Neto disse...

Eita que o Marcelão já chegou fazendo polêmica! hahahahahaha

Abraço, mah!