terça-feira, 12 de maio de 2009

De volta...

Olá a todos, e perdão pela demora. Acho que já está na hora de voltar.
Eu estive muito atarefado recentemente (quem me acompanha no twitter sabe que, além de trabalhos, tenho acompanhado o Grêmio e jogado Chrono Trigger, o que consome tempo...)
Eu havia prometido à Adri um update até, no máximo, ontem. Evidentemente, as coisas não sairam como planejado. Pelo menos deu tempo de o pessoal ver o meu design novo e comentar. hehehe
Bom, eu sempre tenho planos de dar grandes e demorados discursos acerca de tradução ou de outro tópico, a cultura japonesa (para quem não sabe, sou um estudante de Tradução- ênfase em Português-Japonês! Fez sentido agora, né?).
Estou preparando um pequeno post sobre haikais, aliás (inspirado no site http://www.flor-de-gelo.blogspot.com/, da minha amiga e companheira blogeira, Gerusa Leal!).
Contudo, neste momento, eu decidi fazer apenas um comentário sobre algo que, já faz algum tempo, vem me incomodando. Por que, em traduções, as pessoas dizem que o tradutor não pode interpretar errado o original? Afinal, interpretar já implica uma leitura própria, única, que tem a ver com a pessoa que está lendo/vendo/ouvindo. Não é assim que fazem nas músicas? A nona sinfonia, interpretada pela orquestra sinfônica de Porto Alegre, por exemplo (perdoem-me, músicos...). A interpretação já implica outra leitura, como algo parecido, porém diferente. Uma releitura, por assim dizer, do que foi feito.
Pois, na tradução, se dá o mesmo. É uma leitura que o tradutor faz da obra original. Por que, então, desse “auê” todo para cima do tradutor?
Bom, podemos já começar desmentindo o meu exemplo sobre música. Por mais que você possa ouvir uma música antiga interpretada por um artista novo, você ainda tem acesso à música antiga. No caso da tradução, o público em geral só tem acesso à obra traduzida, à nova interpretação. Mas eu cheguei também a conclusões próprias. Uma delas vem da própria educação que nós recebemos no colégio.
Lá, aprendemos o modo “certo” de interpretar Machado de Assis, José de Alencar, Guimarães Rosa, etc. Aprendemos que a obra se interpreta assim, e ponto final. Portanto, se só há uma interpretação, só deve haver, também, uma tradução. Só há um jeito de se interpretar, todo o resto não passa de um desvio.
Porém, o que devemos lembrar é o seguinte: o texto original é hermético, fechado, difícil e inacessível para os leitores daqui. É trabalho do tradutor, por outro lado, torná-lo aberto, fácil e acessível. O dever dele é, justamente, mudar o texto original para que seja bem compreendido em sua língua. Se ele não mudar o texto, ele continuará hermético, difícil etc. Além do que, em 100% dos casos, uma tradução ruim é melhor do que não haver tradução.
Pensem nisso...

4 comentários:

Siane disse...

Não sei se concordo que uma tradução ruim seja melhor do que tradução nenhuma. Mas te apoio no que diz respeito a toda a filosofia da tradução. Cada leitura é uma interpretação. É óbvio que a essência permanece a mesma, mas a ênfase, a intonação imaginada por cada leitor são diferentes. E o tradutor é um leitor. Um leitor que vai transmitir a sua ênfase, a sua intonação no texto que estiver REescrevendo. O tradutor faz escolhas. O tradutor participa ATIVAMENTE do texto (quer queira, quer não!).

Hermes disse...

como eu tenho um péssimo conhecimento linguístico, sempre é bom ter uma traduçãozinha..acho o trabalho do tradutor muito importante, continue.

Marina disse...

Eu acho que tradução ruim é melhor que tradução nenhuma; mas isso não impede que eu reclame das traduções ruins. Acho que não dá para comparar com uma música; na minha opinião o tradutor é um meio para levar uma história a um público. Já um músico é um personagem dessa "história".

Não sei se foi você mesmo que disse, alguma vez: tradutor bom é aquele que passa despercebido.

Beijos!

adri disse...

Achei muito bom o post porque isso de "leitura única" também anda me incomodando muito há tempos.....

Já me incomodava horrores nos tempos de escola, mas, quando entrei na faculdade e vi que as leituras minhas que haviam sido tachadas de "erradas" eram só isso mesmo, uma leitura MINHA - diferente por conseqüência das dos outros - aí virou o leite.

Como tu disseste, cada leitura é única, cada um lê do seu ângulo, cada leitura acaba sempre sendo uma reescritura. E o tradutor também é, em primeiro lugar, um LEITOR.

Também não sei se concordo que uma "tradução ruim seja melhor que nenhuma". Li teu post na 4a feira eu acho, e ainda estou com essa frase na cabeça. Quando chegar a aluma conclusão, te aviso.

bjs, moço!